sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Wilder mind

Se souber onde por os pés já me dou por feliz... Choro e grito em tom abafado... Nem consigo respirar! Fazemos amor ou algo do género... E vou chorar para o sofá! Nem reparaste nisso! Mas que importa? Somos dois amigos que coabitando temos relações físicas e pouco sentidas! Tu achas que sim mas nem sabes que não... Se fossem sentidas a intensidade era real! Não perguntas onde fui... Com quem fui ou onde quero ir! Mas que importa? Não tens de o fazer porque não é uma obrigatoriedade, não tens de saber porque não é importante! Enquanto isso eu faço num esforço para não me desfazer em delícias com o senhor estafeta que se encostou á porta do prédio, sorriu e me piscou o olho! Ele achou que eu estava bonita, ele não o disse mas demonstrou, e eu senti que ele queria. Queríamos os dois foder como se não existisse amanhã, foder com vontade e depois virar as costas sem nunca mais nos vermos! Na verdade o que eu sinto de momento é que gastei o amor todo que tinha... já não consigo acrescentar mais sentimento aqui dentro, no presente só penso em coisas físicas, em sensações de prazer e palmadas no rabo! Qualquer movimento que simbolize sexo pode render-me, um beijo bem dado... Como tu nuca deste! Um amasso bem amassado com desejo que nunca te senti! O amor propriamente dito é sobrevalorizado, se existir respeito e paciência à mistura com uma boa queca... Tudo pode acontecer! É assim que estamos... Nao sei quanto mais tempo vou conseguir viver a mentira.. não te quero magoar... Mas sinto me magoada!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Let me out...

Sinto-me perdida... Tenho em mim todos os sonhos do universo, mas estou acordada! Não me sinto bem nem mal, sinto... Nem sei o que um dia senti, sei que a distância é uma pedra que não consigo arrastar, é demasiado pesada e muito aspera para a poder acariciar. Deito-me na cama e sinto o calor, mas não quero sentir, não o quero ter por perto. Nos dias em que me permito sonhar, há uma vontade avassaladora de fugir por aí e simplesmente sorrir, de beijar as almas dos indigentes e sorrir com eles, de viver como um nativo dessas florestas, de me desnudar e ouvir as melodias do vento. Mas quando desperto desses auspícios volto a sentir o peso da verdade, as costas doem e os lábios serram as palavras. É aí que escrevo... E assim. Alivio  esta dor que me atormenta, esta pedra que prende os desejos ao chão frio. As pessoas na rua passam e acenam como se soubessem que preciso de ar, como se sentissem que me estou a afogar em aspirações! Mas eu sigo porque não sinto que sejam sinceros os acentos dos demais... Quando o cigarro se acaba acendo outros e fico ali naquele ciclo de dependência surreal... Sou alegre e dou sorrisos mas tenho a alma negra. Quem ouvir o que tenho para dizer, acha que não sei do que falo, tantos sorrisos e beijos perdidos... Fiquei por ali... Porque afinal sou só uma mulher... Simples e vulgar, ordinária como tantas outras que sonham em encontrar um rumo, uma meta no fim da corrida! Se existiram alturas em que eu achei ter encontrado a minha, no momento a maior certeza que tenho é que aspiro mais e não quero ficar por aqui! Quero voar no mais alto clichê puro de saudades... Senti contigo que tinha encontrado o beijo certo... Mas afinal era só uma brisa! Tantas condicionantes... Tantas noites mal dormidas que nem consigo abrir os olhos. Tantos suspiros mal resolvidos que nem me olho ao espelho com medos que desconheço... Viajei pelas sensações de te abraçar... Mas afinal o teu abraço era plural e pouco sincero, a comodidade de ir aos teus encontros era boa... A pessoa que era contigo... A personagem que criei era pura... Mas tu não! A vida que sentia contigo era falsa e opaca! Mas o melhor de mim acordou, a verdade sobre nós despertou! Uma vez disse-te que não era para uma noite! Eu achei que podia ser sincero, mas afinal a sinceridade é versátil... A verdade é que não mentiste! Não era para uma noite, era para várias... Mas em nenhuma delas me ias pertencer. 32 anos depois ainda não consigo distinguir a verdade do desejo, a vontade do apego, a vida do sonho! Vou ser eternamente a menina dos olhos doces que todos querem abraçar porque é bom, porque cheira bem e é quente, porque faz sentir coisas boas e puras... Mas ninguém quer ter porque é uma menina!

domingo, 11 de dezembro de 2016

No fim do inicio de uma vida com tantas voltas e sorrisos... elas voltaram!
Não se sabe muito bem porque nem como, mas as vontades desaparecem a pouco e pouco, a força de continuar é temerosamente escassa. Tenho quase tudo, quase tudo o que se pode pedir ou aspirar, vidas entrelaçadas com sorrisos e mão dadas, noites mal dormidas por simples rugas de expressão.
Já tive nada, já conquistei o mundo, sobrevivi ao apocalipse dos fracos e ao holocausto dos que se esconderam. E é aqui neste sossego sem paz que me perco e desfaleço perante milhares de espectadores. Esperam de mim demasiado, mais do que posso oferecer, mais do que sei ou quero.
A regra aguçada trespassa-me de rotinas eu mata todos os prazeres possíveis, criei o que se chama de harmonia perfeita, amo e sou amada, gosto e e odeio, completa de sentimentos e pão para o corpo... Mas tão pobre para a alma é esta minha existência...
Há magoas que julgava esquecidas e ultrapassadas, vivências que achava perdidas, escaras que encarava como cicatrizadas, mas elas estão a reabrir, dia a dia, noite a dentro sinto o fumo dos cigarros fumados sem sentido, os esforços sem frutos as árvores sem folhas na sombra de um destino resumido!
Queria arriscar mas não arrisco, porque tudo esta dependente dos riscos que se corre ao arriscar.
Sou ninguém por ai a deambular mas sinto que o mundo poderia fazer de mim alguém, sei do que sou capaz e sei que dou o melhor de mim em dias de tempestade, sei que me escondo e não incomodo em dias de sol. Sou assim não por esforço ou por consciência... apenas por feitio inato e inerente ao que sou.
Queria cantar porque gosto...
Queria explorar porque me preenche...
Queria ser piloto porque me fascina...
Queria investigar porque sou curiosa...
Queria partilhar os meus conhecimentos porque sou altruísta...
Atendo telefones 8 horas por dia, por vezes 12, digo o que se pode dizer , repetindo vezes sem conta os dialectos da boa educação, sem nunca repetir a frustração, essa é sempre nova e aumenta cumulativamente ao numero de dias, horas, meses, anos em que me mergulho nesta bolha de não sapiência e de conformismo intelectual! È aqui que estou perdida, por muito escassas que sejam as palavras com que me descrevo, são estas as possíveis, porque as letras que tanto amo são gastas num dia-a-dia desesperante sem que nenhum significado lhes seja atribuído. Sinto-me um veleiro sem lona, à deriva sem mar, perdida em incoercíveis vómitos de desespero miudinho que roçam a morte de uma alma quase moribunda.
Sinto que o mais resiliente pedaço de sonho que tive se perdeu, é tarde, tarde porque demora, tarde porque posso perder a segurança de atender telefones, tarde porque se falhar não vou ter amparo, porque arrisquei. Tentei ser o que queria mas quem correm contra as ondas do mar revolto sem um auxilio acaba por vir parar ao areal sem bóia nem salvação, e se como eu forem fortes acabam por sobreviver ao afogamento, sentados numa secretária a encher caixas com ovos de forma simétrica e educada. Longe da idiossincrasia que me faria feliz e que seria de todo um mundo perfeito.
Fico por aqui sentada em frente a um qwerty de 105 teclas e um ecrã incrédulo por presencia tamanha frustração banhada a lágrimas e desabafos.

Temo pelas forças que me possam faltar para discursar educadamente a eternidade futura que se avizinha...





quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Johnny Cash para sua esposa June pelos 65 anos de amor...


"Ficamos velhos e nos acostumamos um com o outro. Pensamos coisas parecidas. Lemos a mente um do outro. Sabemos o que o outro quer sem perguntar. Às vezes, nos irritamos um pouco. Às vezes, não nos damos importância. Mas, de vez em quando, como hoje, eu medito e percebo o quão sortudo sou por compartilhar minha vida com a mulher mais incrível que conheci. Você ainda me fascina e me inspira. Você me influencia para melhor. Você é o objecto do meu desejo e a razão número um para minha existência. Te amo muito. Feliz aniversário, princesa."
O que se sente...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Passados

Divergência inútil que atravessa o meu seio coberto de sangue falso.
És tu quem apoquenta o juízo nas horas tórridas de sexo monótono
És tu quem me deixa atordoada nos minutos de lisonjeio em que passo a mão na anca sentindo toda a curva intocável de meu corpo.
Vem junta-te a mim neste manjar dos deuses que é o amor cego e inegável.
Sente a fúria do meu instinto perdido no teu cheiro, e percorre o meu cheiro com o ouvido junto à minha pele.
Amor incógnito, que te sinto
Que te sinto mais que nunca inquebrável pela dor ou o odor da distancia
Amor que te nego mas não consigo por um travão quando queres seguir
Em frente
Não sei em que alma habitas mas sinto-te correr no sangue como se de um furacão se tratasse.
E de repente na hora triste em que atravesso a chuva fria, tu surges como uma sombra ambígua.
Quero tocar-te mas não consigo porque estás dentro, dentro de mim, no meu puro desejo de te possuir.
Amor ardente, que me consome todos os dias da minha vida
Vem junta-te a mim neste ritual meu.