quinta-feira, 8 de julho de 2010

A cereja em cima do bolo…




São as cerejas que nos trazem à memória recordações de criança, os brincos de cereja, o trepar às árvores para comer o pequeno fruto avermelhado e olhar para o rio bem lá no fundo! Os socalcos do vale cravejados de cerejeiras em flor, e o tom que elas dão à vista dos nossos olhos até onde ela pode correr! Os arrepios que se sente quando se prova o doce trago de uma cereja vermelhinha e madura, com o alimento da alma dado pela brisa do Douro que regala os sentidos! A festa da frutinha doce e rubra, as crianças à volta de uma cesta, os caroços que voavam por cima das cabeças como um ritual de brincadeira! São as recordações intensas e verdadeiras que me trazem à lembrança os sabores da cereja mais doce que o mel, mais bela que o horizonte e que tantas histórias escreveu no livro desta aldeia! Tantas são as visitas que nos fazem pelo vermelho brilhante de uma singela e pequena pérola que se prende a uma sua gémea pelo caule que as suporta e lhes dá a garra de serem elas, as divas de um povo de glórias! Tantos são os vivas recebidos por amigos, por quem cá passa e se apaixona! As flores, o rio, as lendas, a gentes humildes e hospitaleiras, as vontades e virtudes da paisagem castanha esverdeada de um lugar à beira rio nascido e criado!
Resende a vila dos homens que fazem da vida um bonito livro de alegrias, é aqui que nascem as vontades de voar por ai com um brinco de cereja na orelha, o sorriso de quem alimenta a alma e o sonho no coração nobre das gentes desta terra!

È vermelha sorridente, brilhante e redondinha
Vem à festa ainda em flor, sonhadora
Como um par, nunca se sente sozinha
Dá vida e sabores às gentes de outrora



Vestes e crenças das pessoas daqui
Só cá não pára quem não sabe ou é tolo
Porque o sabor do doce e a brisa das cores
São a cereja em cima do bolo!