domingo, 28 de junho de 2015

Voracitate

chegam-me às mãos as tulipas brancas
como um universo inflamado
de bocas e ombros tácitos
quando não ouço nenhum mar ocultar-se
na desenvoltura dos dedos
digo-te: é preciso um candeeiro nesta
rua iminente.
não há nevoeiro mais tardio a sobrevoar
o sereno amanhecer das algas,
o sentimento de ti começa na cegueira
das palavras previsíveis
e vai descendo a silente claridade
dos túmulos.

chegam-me às mãos as cidades necessárias
magras como cães de língua acesa.
digo-te: quero apenas o silêncio,
o fumo breve da inocência a trespassar-me
a avidez da sombra.

By: Cláudia Ferreira

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Não sei reproduzir o som das lágrimas...

O meu ser já não é ser porque me tiraste a última réstia de vida que nele existia. Eu costumava imaginar-te sem asas nem vultos, sem nenhuma cruel vontade de me abraçar. Eu sabia no fundo que assim era a tua sensatez, e falta de cor! As vontades já não se repetiam mas o desejo ainda queimava. Comprei uma faca bem afiada para esperar ao teu lado pelo momento, como se fosse uma «Julieta de jeans» sem qualquer pureza de alma!Senti arrepios a noite toda, quando no horizonte se podiam ver ondas de calor...Já não era tarde, já não havia tempo! Foi mesmo assim, de uma vez só...Descobri que afinal eras mau, que magoavas... que picavas sem ter veneno,mas que sem ter veneno me deste a picada mortal...porque quando acabar... vamos ser felizes os dois!Lá longe, aonde nem as luzes do arco-íris conseguem chegar! Mas ainda te amo porque te odeio!

Flores as cores da minha alma!

Bom dia flores que ainda não nasceram, estou já a felicitar-vos, talvez consiga acelerar a vossa vinda ao meu mundo que se esta a desmoronar sem vós. Quero escrever tão rápido como uma máquina que se auto-descreve como uma forma de protesto para os que nos subestimam. É isso que me assombra, uma máquina que escreve sem mim, são os meus dedos que o fazem, não sou porque eu não ando cá há já algum tempo. Lá estou eu a escrever coisas sem sentido! Não consigo é mais forte que eu, falar e sonhar alto são os meus pontos fortes.
Menina onde andas tu que não me contemplas com as tuas frases delírios fazendo-me relembrar a «Florbela», e que me beijas com esses lábios rosados sem nem sequer te dignares a escrever-me uma palavra que seja! Aonde estás tu que já não me falas e prosa nem versejas umas banalidades estranhas e surreais.
As flores? Quero as flores, cresçam por favor minhas amigas, as rosas ou gerberas, as tulipas e sardinheiras, os jarros e os mal-me-queres, as papoilas e os brincos de princesa...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Trinta... E uns trocos...

São trinta e uns trocos, por aqui tudo corre como sempre, uma dádiva e uma desgraça figurada que se avista. São trinta e uns trocos com cicatrizes amargas e muita força de seguir em frente.